sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Livro da semana: Os Bons Suicidas

        


           Apesar do título bastante macabro e contraditório, (será que existe alguém apto a ser um bom suicida?), o livro Os Bons Suicidas do escritor Tony Hill, é uma narrativa policial e investigatória de tirar o fôlego.

        O inspetor de policia Héctor Salgado, da cidade de Barcelona, na Espanha, começa a cuidar de um caso aparentemente sem muito mistério, trata-se da morte  de uma mulher por suicídio. Tudo acontece de forma bastante incomum para o sexo feminino, atirar-se em frente a um trem. Porém, à medida que as investigações avançam, começam a aparecer fatos que ligam essa morte a um outro caso anterior, um homem que assassinou a esposa, a filha e depois se mata.

O que esses dois casos aparentemente tão distintos tem em comum? Essas duas pessoas trabalhavam na mesma empresa e haviam participado de um retiro para treinamento em grupo. Tudo indica que alguma coisa muito séria aconteceu durante o período em que esse grupo de pessoas esteve junto e isso os uniu fortemente através de um pacto de silêncio.

Entretanto, mais pessoas morrem e a unidade do grupo fica abalada. O segredo será mantido até o fim?

Paralelamente a esta trama, é investigado o sumiço de Ruth, acontecido seis meses antes. Ela era ex-mulher do inspetor Salgado. O que teria acontecido com ela, estaria morta ou viva a esta altura do campeonato?

No final do livro muitas perguntas são respondidas, porém, nem todas...

O final reserva surpresas e um desfecho emocionante e um pouco... frustrante! Morri de curiosidade sobre alguns fatos e terminei o livro ainda mais curiosa.


Vale a pena!

Coisas que me irritam

       

        Certo dia me perguntaram em uma dessas entrevistas de emprego “o que tira a Karine do sério?”, um turbilhão se fez em meus pensamentos, tanta coisa e quase nada, poderia ter sido a resposta, mas talvez a chatice humana teria sido a melhor.

        O que exatamente eu classifico como chatice humana? Então lá vamos nós...

        Discussões sobre política de forma infundada. Agressões verbais por conta da intolerância da forma de pensar, agir e ser. Impaciência. Falta de interesse. Má educação. Falta de respeito. Ausência. Superficialidade. Arrogância. Julgamentos sobre a moralidade. Hipocrisia. Brutalidade. Violência. Injustiças. Preconceitos.

        Tanta coisa... que quando me deparo com situações assim, prefiro me calar. Estou aprendendo a arte do silêncio. O que responde a segunda pergunta que a recrutadora me fez “e como a Karine lida com isso?”.

Respirar fundo, analisar a situação e calar. Certas coisas não precisam ser ditas, em alguns momentos proferir palavras é alimentar a agressividade alheia.

Aprender, praticar, aperfeiçoar e aprender...

        Talvez um dia aprenda também o perdão absoluto através da compaixão plena, para com todos, sem exceção.

        Por enquanto, me contento com o que aprendi até aqui, pensar e viver aquilo que eu acredito. Buscar o equilíbrio físico e mental. Os conselhos e disseminações de uma verdade absoluta, deixo para os profetas ou para os fanáticos. Para mim, viver em paz com o mundo e comigo mesma, é suficiente.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Livro da semana: O Amor de uma boa mulher

     

         O livro O amor de uma boa mulher é um apanhado de contos que retratam o cotidiano das mulheres de diferentes épocas, marca pela narrativa profunda, surpreendente e direta da escritora Alice Munro. O universo feminino é descrito com todos os seus conflitos porém sem julgamentos entre o certo ou errado, assim como na vida real, as personagens amam e odeiam, acertam e erram, mas acima de tudo, demonstram-se extremamente humanas.
       
        Uma dessas mulheres é capaz de dedicar a vida em prol do bem de doentes moribundos. Outra devido ao próprio delírio da depressão pós-parto, foge do estereótipo de mãe zelosa e é incapaz de lidar com a própria filha recém nascida, indo ás últimas conseqüências dopando a criança e a si mesma com calmantes, tudo em busca da paz perdida. Também há o retrato da mulher que se sente fracassada quando percebe que sua vida foi diferente daquilo que é esperado do sexo feminino, retorna a casa do pai imaginando encontrar apenas frieza e surpreende-se com a profundidade dos mistérios que uma relação superficial em família pode esconder.
       
        O amor de uma boa mulher é um livro para ser lido com a alma aberta, e é preciso que o leitor esteja preparado para ver ali o cotidiano descrito em uma forma bastante realista, para compreender que na vida assim como na ficção, as pessoas são capazes de ser muito mais complexas do que aquilo que aparentam.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amadurecendo

      

        Desconfio que atingir a maturidade é finalmente dar sossego ao corpo e a mente. Amadurecer é domar a fera da juventude que aceita toda e qualquer coisa em nome da aventura, mas sem se preocupar com as conseqüências dessas escolhas. Ser um adulto maduro também pode ser dito como se tornar alguém mais seletivo em suas escolhas.

            Amadurecimento e navegar em águas tranquilas e tomar um gosto imenso pela paz. Também é sair do meio do olho do furacão, tomar uma certa distância e observar de longe o problema, analisar as possibilidades e tomar a atitude mais acertada e condizente com as próprias vontades. Alinhar-se a si mesmo. Descobrir sua identidade e acreditar nela. Todo os dias se conhecer a cada dia mais e se surpreender com as próprias mudanças.
             
            O olhar da experiência acumulada faz com que a gente olhe para trás e se sinta solidário com o jovem que um dia fomos. Ah, se pudéssemos ter um encontro com nossa versão mais jovem, quantos conselhos poderíamos dar. Mas seria inútil, nosso eu mais novo não saberia ouvir e tampouco entender, pois as coisas que vivemos no passado é que nos fizeram ser o que somos e saber o que sabemos.

            A cada ano que passa fica-se melhor. A vida fica mais leve. As culpas se tornam menores. Nos tornamos mais generosos, com os outros e conosco mesmo.

            Compreendemos enfim que entramos nessa vida sem nada saber e descobrimos ao longo do caminho ser possível sair dessa jornada como alguém melhor, aprender e ser capaz de contribuir com o resto da sociedade. Seja através dos nossos atos, gestos ou palavras. Os rastros da vida que fomos capazes de construir, serão o legado que deixaremos para aqueles que um dia cruzaram nosso caminho ou em algum momento se juntaram a nós na caminhada.